A janela de migração abre hoje. De 1 a 30 de setembro de 2026, o Google Ads atualiza automaticamente as campanhas Search que ainda usam duas definições antigas — campaign-level broad match (correspondência ampla ao nível da campanha) e automatically created assets (recursos criados automaticamente) — para AI Max for Search campaigns.

A Google notificou os anunciantes afetados por e-mail a 5 de agosto, numa única frase seca: “A partir de 1 de setembro de 2026, as campanhas que usam automatically created assets (ACA) e/ou a definição campaign-level broad match serão automaticamente atualizadas para AI Max for Search campaigns.” O detalhe técnico chegou a 12 de agosto, no Google Ads Developer Blog, e o calendário completo da migração foi noticiado pelo Search Engine Land a 14 de agosto.

Isto não é uma mudança de nome. Para uma boa parte das contas afetadas, é uma alteração de segmentação que entra em vigor sem que ninguém na conta a tenha aprovado.

O que é, de facto, o AI Max

O AI Max é a forma como a Google juntou três funcionalidades de Search antes separadas num único interruptor ao nível da campanha, descrito no Google Ads Help como uma camada de otimização contínua:

  1. Search term matching — usa broad match mais aquilo a que a Google chama tecnologia “keywordless” para encontrar pesquisas fora da sua lista de palavras-chave, aprendendo com as palavras-chave, os criativos e os URLs que já tem.
  2. Text customization — a funcionalidade anteriormente chamada automatically created assets: títulos e descrições gerados a partir da sua página de destino, dos anúncios e das palavras-chave.
  3. Final URL expansion — encaminha o utilizador para a página do seu site que a Google considera mais relevante para a intenção da pesquisa, em vez do URL que definiu.

A alegação de desempenho da própria Google para o conjunto, publicada no The Keyword, é modesta e específica: as campanhas que usam toda a suite de funcionalidades registam “em média, mais 7% de conversões ou de valor de conversão com um CPA/ROAS semelhante” face às que usam apenas search term matching. É uma comparação entre duas configurações de AI Max — não uma promessa de melhoria em relação à sua configuração atual.

O que fica ativo, por tipo de campanha

As predefinições variam consoante a funcionalidade antiga que a campanha usa, e a diferença pesa mais do que parece:

  • Campanhas com automatically created assets são atualizadas com search term matching ativo e text customization ativo. Final URL expansion mantém-se desativado.
  • Campanhas com campaign-level broad match são atualizadas com search term matching ativo. Text customization e final URL expansion mantêm-se desativados.

É na assimetria que está o risco. Uma campanha de broad match já tinha correspondência de pesquisas pouco restrita e mantém sensivelmente o comportamento que tinha. Uma campanha com ACA não — os automatically created assets sempre se limitaram a gerar criativos. Como escreveu o PPC Land, essas campanhas herdam agora “uma alteração de segmentação que a funcionalidade antiga nunca trouxe”. Se a sua conta se apoiava nos ACA para volume criativo, mantendo um controlo apertado de palavras-chave em correspondência exata e de expressão, é esse controlo que muda a 1 de setembro.

A Google fechou a porta atrás deste movimento a 3 de agosto, quando deixou de permitir a criação de novas definições de campaign-level broad match e de automatically created assets antigos na interface do Google Ads, no Ads Editor e na API.

O que mantém

A atualização não implica abdicar de todas as alavancas. Os anunciantes mantêm os brand controls (um seletor de três opções que rege as pesquisas de marca), a remoção de recursos de texto gerado, os controlos de URL, as definições de localização e os modelos de acompanhamento que usam padrões de tag lpurl suportados. Os recursos fixados (pinned) nos responsive search ads continuam a ser respeitados no percurso de atualização do broad match.

Também pode evitar por completo o percurso automático — em qualquer das direções. Desativar a funcionalidade antiga antes de a migração chegar à sua conta deixa a campanha fora do âmbito. Ativar o AI Max por iniciativa própria significa que é o anunciante a escolher a configuração, em vez de aceitar a predefinição. A orientação da Google é explícita quanto à sua preferência: “Recomendamos a transição para o AI Max agora, para manter o controlo total sobre a configuração da campanha.”

Os Dynamic Search Ads tiveram adiamento — isto não

Vale a pena separar as duas cronologias, porque já foram uma só. Os Dynamic Search Ads estavam inicialmente agendados para migração automática também em setembro de 2026. Em junho, a Google adiou-a para fevereiro de 2027, com avisos de lembrete a 15 de janeiro de 2027 e a janela automática a decorrer de 1 a 28 de fevereiro de 2027, momento a partir do qual a criação de novos grupos de anúncios DSA fica permanentemente desativada. A Google Ads Liaison, Ginny Marvin, afirmou que a extensão “dará aos anunciantes mais tempo para se prepararem e evitará grandes alterações nas contas durante a época intensa do Q4”.

Esse raciocínio não se estendeu aos ACA nem ao campaign-level broad match. Esses avançam ainda este mês — precisamente na antecâmara do Q4. As versões mais antigas da Google Ads API que ainda suportam as funcionalidades antigas deverão ser descontinuadas por volta de setembro de 2027.

O que isto significa para o seu negócio

Descubra hoje se está abrangido. Filtre as campanhas Search por campaign-level broad match e por automatically created assets. Se nenhuma aparecer, nada lhe acontece este mês. Se alguma aparecer, tem uma campanha cujo comportamento de correspondência vai mudar dentro da janela de migração.

Registe uma baseline de desempenho antes de a mudança chegar à conta. Exporte custo, conversões, CPA ou ROAS e quota de impressões das campanhas afetadas para as quatro semanas até 31 de agosto. Assim que o search term matching estiver ativo, vai precisar de um retrato limpo do “antes” para avaliar se a expansão de pesquisas ajudou ou diluiu. Esperar por outubro significa comparar com um período já contaminado.

Acompanhe os termos de pesquisa semanalmente, não mensalmente, ao longo de setembro. A expansão de pesquisas é aqui todo o mecanismo. O relatório de termos de pesquisa é onde a atualização mostra o seu trabalho — e onde verá se está a comprar intenção ou a comprar volume. Adicione palavras-chave negativas à medida que os dados chegam, em vez de o fazer numa única autópsia final.

Decida de forma deliberada, e não por omissão. Migrar manualmente custa uma hora e permite-lhe definir search term matching, text customization e final URL expansion conforme a conta realmente precisa. Deixar correr a atualização automática não custa nada hoje e entrega a escolha da configuração às predefinições da Google. Para contas com margens estreitas, alegações reguladas ou linguagem de marca rigorosa, a hora sai mais barata. É esta a revisão que fazemos para os clientes antes de qualquer migração forçada de plataforma em publicidade paga: primeiro a baseline, depois a configuração deliberada, e só então a medição.

Não trate os 7% como previsão. O número da Google compara AI Max completo com AI Max parcial, de forma agregada, entre anunciantes que não conseguimos ver. É um argumento razoável para usar todo o conjunto de funcionalidades depois de já estar em AI Max. Não é uma projeção para a sua conta, e não a incluiríamos numa justificação de orçamento.

A nossa leitura é que a direção está definida: a Google está a consolidar a segmentação e o criativo de Search numa única camada gerida por IA, e as alavancas manuais estão a ser retiradas segundo um calendário publicado até 2027. A questão para as próximas quatro semanas não é se avança, mas se avança nos seus termos ou nos do calendário.

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